| |
With a little help from my angel
Fernando Pessoa teria dito, certa vez, que para escrevermos um bom texto precisávamos também de um bom anjo da guarda. Eu, que sou praticamente um kit-fé, concordo, mas acredito que não é somente com as palavras que precisamos de uma mãozinha sobre-humana. Em inúmeras situações das nossas vidas, é necessário que estejamos atentos aos ardilosos sinais que os nossos anjos nos enviam.
Terça-feira, por exemplo, boa parte dos meus sonhos para 2006 foi por água abaixo com uma notícia que me abateu logo cedo. Mais eis que de repente, em meio à tristeza de quem sabe que poderia ter ido além do que foi, farejo o primeiro sinal do meu anjo da guarda: lendo o caderno Cotidiano, da Folha, esbarro em uma crônica linda do Rubem Alves sobre Mário Quintana, um dos meus poetas prediletos, intitulada Passarinho, na qual ele cita aquela quadra que eu adoro:
“Todos esses que aí estão, atravancando o meu caminho, eles passarão... Eu passarinho”.
Eu até sorrio e percebo que não é lamentando-se que conseguimos encontrar a solução para um problema, mas como a tristeza ainda persiste, decido ir às compras e me permitir certos mimos. Um deles é um livro, e é na livraria que o meu anjo da guarda depara-se com a sua próxima estratégia de persuasão. No balcão, enquanto aguardo o atendimento, pego um folder de divulgação do livro Heróis de Verdade, do Dr. Roberto Shyniashiki. Muito cética (odeio livros de auto-ajuda), abro-o e leio o seguinte:
“Está na hora de cada um valorizar a sua vocação sem se preocupar tanto com a competição do mundo moderno. De caminhar de acordo com os valores mais profundos, ter a serenidade de quem trabalhou e venceu, a sabedoria de quem lutou e perdeu, e ,principalmente, a fé de quem sabe que ainda tem muitas histórias para viver lá na frente. Viva de acordo com a sua essência”.
Com a fé de quem talvez ainda não saiba, mas tenta acreditar, que muitas histórias virão, volto ao trabalho e me animo ao lembrar que à noite era a festa de aniversário de 80 anos de uma das minhas tias-avós que eu mais adoro. Era também a oportunidade de reencontrar a Sílvia, uma filha dela que mora há anos nos Estados Unidos e está de férias aqui em Poços, e de me despedir da Tereza, uma prima que irá para Milão daqui quinze dias.
E sempre que a minha família se reúne é aquela festa: todos se abraçando, rindo, falando muito alto. E a certeza de que não é possível ser feliz se não estivermos em paz com a nossa família, seja ela constituída por elos sanguíneos ou emocionais.
Já na quarta-feira as boas surpresas vieram com a faculdade; todas as aulas foram excelentes e divertidíssimas. Nas duas primeiras, de Gestão, para analisarmos a relação entre o processo de organização social do trabalho capitalista e a escolarização de massa, assistimos a um daqueles brilhantes filmes do Chaplin, Tempos Modernos. E nas aulas de Organização Curricular, durante um debate sobre o também brilhante Ponto de Mutação, de Capra, foram as histórias da Afonsina em 19 anos de docência que nos fizeram rir.
E a frase do dia é...
“Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos”.
(Eduardo Galeano)
Escrito por Chris às 08h46
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Matando aula de Gestão...
"As pessoas deveriam estar sempre apaixonadas. É por isso que nunca deveriam se casar".
(Oscar Wilde)
Categoria: Fala que eu te escuto
Escrito por Chris às 18h21
[]
[envie esta mensagem]
[link]
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|